Ponto de situação

O desenvolvimento deste projeto teve início logo após a data da sua homologação em fevereiro de 2018. O projeto foi planeado em várias fases com diferentes tarefas, de modo a se conseguirem atingir os objetivos definidos.

Sintetizam-se as atividades realizadas:

Fase 1. Controlo de Campylobacter spp. na produção de aves: Estudo de intervenções na produção primária (2018)

Efectuou-se a avaliação in vitro da atividade anti Campylobacter de vários ácidos orgânicos e extratos de plantas comerciais que foram seleccionados como potenciais inibidores: Salgard Liquid (ácido orgânico), Entero-nova (ácido orgânico), Biotronic top (ácido orgânico), Agrocid super (ácido orgânico), Ropodiar (orégãos), Digestarom (60 tipos de óleos essenciais), Coxsan (alho + orégãos), Licorol (mentol), Lumance L. (orégãos), Orego-stim (orégãos), Norponin (Saponinas). Todos os extratos puros apresentaram atividade contra Campylobacter spp. Procedeu-se à determinação das concentrações mínimas inibitórias e os resultados obtidos permitiram seleccionar os extractos com maior poder inibitório preconizando assim um ensaio com Norponin+Biotronic para estudo do seu efeito no controlo de Campylobacter em bandos de frango.

As intervenções na produção primária testadas para controlo de Campylobacter em frangos foram: (a) Introdução de agentes de biocontrolo na alimentação dos bandos (agentes probióticos) que revelem atividade anti-Campylobacter spp.: efeito do probiótico GalliPro®; (b) Introdução de substâncias antimicrobianas naturais na alimentação de bandos na fase final de engorda antes do abate: efeito do Norponin®+ Biotronic® Top Line. Estes ensaios ocorreram entre 28 de setembro de 201 e 21 de janeiro de 2019. Foram utilizados pintos ROSS 308. Foram realizados dois ensaios independentes numa população de frangos em larga escala e de acordo com as condições reais de produção. No final da engorda foram efetuadas colheitas de cecos de frangos sujeitos às condições de ensaio e amostrados de forma aleatória.

Nas amostras (cecos dos frangos) entregues no laboratório foi realizada a pesquisa e contagem de Campylobacter spp. de acordo com a ISO 10272-1:2017. O impacto da introdução de substâncias antimicrobianas na alimentação de bandos na microbiota intestinal foi avaliado por extração de DNA de amostras fecais e posterior sequenciação por NGS.

Estes ensaios estão concluídos.

 

Fase 2. Definição e avaliação de estratégias de controlo de Campylobacter spp. ao nível do abate

- Com o objetivo de avaliar a persistência da contaminação por Campylobacter spp. das carcaças de frangos provenientes de diferentes criadores, ao longo das estações do ano, foram realizadas amostragens nos matadouros de dois em dois meses (março 2019 a dezembro 2020) e de acordo com a metodologia definida no regulamento 2017/1495. Estas recolhas permitiram fazer um diagnóstico de situação em relação à contagem de Campylobacter nos bandos de diferentes criadores e retirar ilações relacionadas com fatores de produção e ao nível do matadouro permitindo estabelecer planos de ação para melhoria continua dos processos. Os isolados obtidos foram identificados e caracterizados genotipicamente e fenotipicamente. Avaliou-se a capacidade dos isolados formarem biofilme. Este trabalho continua ongoing.

 

- A estratégia da descontaminação com água ozonizada (junho-dezembro 2019) para o controlo de Campylobacter spp. foi aplicada a carcaças de frango em ambiente industrial utilizando um desenho experimental de otimização baseado no Response Surface Design com variação dos binómios concentração de Ozono (ppm) e velocidade da linha (nº de frangos/hora). Neste ensaio, para cada amostra foi avaliada a cor, pelo sistema Lab e o pH segundo o procedimento descrito na norma NP 3441:2008. Também foram realizadas análises microbiológicas às peles do pescoço das carcaças de frango de acordo com a metodologia referida no regulamento 2017/1495. A confirmação dos isolados com recurso a técnicas de biologia molecular foi realizada. Este estudo está concluído.

 

- A estratégia do Crust Freezing (abril 2019) foi aplicada a carcaças de frango em ambiente industrial utilizando um desenho experimental de otimização baseado no Response Surface Design com variação dos binómios temperatura dentro da cabina do equipamento e tempo de exposição. Cada tratamento foi efetuado em três amostras diferentes, estando uma amostra constituída por 4 carcaças de frango. Foram realizadas as análises estatísticas dos resultados e não se obtiveram diferenças significativas na redução da carga microbiana de Campylobacter spp. nas amostras estudadas. Este estudo está concluído.

 

 

Fase 3. Avaliação da eficácia de processos de conservação emergentes em carcaças de frango ou produtos cárneos de aves: alta pressão isostática (API) e Luz Ultravioleta Pulsada (LUP), embalagens ativas no controlo de Campylobacter em partes de carcaças e produtos cárneos de aves.

A aplicação da Luz Ultravioleta Pulsada (LUP) (figura 1) em carne de aves contaminada e não contaminada com Campylobacter foi efetuada utilizando várias combinações tais como distância à fatia, voltagem e nº de pulsos, daí resultando uma determinada fluência e recorrendo a um desenho experimental de acordo com a Response Surface Design. A carne do peito de frango fatiada foi testada com um nível de inoculação de Campylobacter jejuni. Foram realizadas análises microbiológicas às amostras de acordo com os procedimentos analíticos normalizados. Este ensaio foi efetuado pela FMV e Lusiaves em colaboração com o IRTA, com subcontratação da utilização do aparelho de LUP durante o mês de Novembro 2018. Efetuou-se a escrita de artigo.

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Figura 1: Preparação de amostras posteriormente submetidas a diferentes condições num equipamento de UV pulsada.

Eficácia de embalagens activas em carcaças de frango ou produtos cárneos de aves no controlo de Campylobacter. Desenvolvimento de uma embalagem ativa com OLE para mitigar Campylobacter spp em frango. Para a fase experimental utilizou-se um extrato de folha de oliveira (OLE) em pó com uma concentração de 20% em oleuropeína. O OLE utilizado foi fabricado pela Nutexa (Spain), um laboratório especializado em aditivos naturais para a indústria alimentar. Nesta fase foi realizado trabalho para definir as práticas laboratoriais de manuseamento e aplicação do OLE, tendo em vista a incorporação posterior na embalagem. 1)Testes de solubilidade do extrato: foram realizados testes em água e azeite. Os resultados mostraram que o extrato é mais solúvel em água do que em azeite, no entanto não é possível preparar soluções em que o extrato fique totalmente dissolvido. 2) Determinação da atividade antimicrobiana de OLE com 20% de oleuropeína. Foram testadas concentrações de OLE de 0,5% a 0,000244% (massa de OLE por volume de meio inoculado com suspensão de Campylobacter) preparadas a partir de uma solução concentrada de OLE em Muller Hinton broth, 2 % (m/v). Os resultados mostraram que a MIC e MBC é 0,5%. 3) Incorporação de OLE em matriz de suporte como material de embalagem. Foram produzidos filmes de quitosano com incorporação de OLE a concentrações de 10%, 20% and 30% w/w. A atividade antimicrobiana dos filmes foi testada para Campylobacter jejuni subsp. jejuni (ATCC 33560), à temperatura ótima de crescimento (41,5 °C) e à temperatura ambiente. As curvas de crescimento foram determinadas em meio com filme imerso na razão de 4 cm2 de filme de cada concentração para 20 mL de meio TSB. Foram incluídos controlos: sem filme e filme de quitosano sem OLE. Este trabalho continua ongoing.

 

Fase 5. Desenvolvimento de estratégias de comunicação a todos os agentes relevantes da cadeia de valor: Educar para garantir segurança.

Publicaram-se panfletos informativos com instruções de boas práticas para o consumidor.

 

- Até à presente data a coordenação tem realizado anualmente reuniões com todos os parceiros de forma a planear todas as ações a serem desenvolvidas, tendo ainda realizado várias reuniões intercalares quando surgiu a sua necessidade.